Covid was not the heaviest burden on the World in 2020!

Por Murilo Menezes, CIO da Positive Ventures

In a few years from now, if someone asks you about the main event that changed the world in 2020, what would your answer be like?

Would it be Coronavirus? A catastrophic pandemic that shut the world down? An unfortunate disease that changed the way we live? Most likely one of those options (if not all), right?

This is definitely comprehensible, and it is hard to argue against the fact that what has happened to the world due to Covid will be forever remembered as a deep scar in Human History.

However, this is not what I believe was the heaviest burden on our World in 2020.

As a matter of fact, something much more representative of our time occurred last year.

I am talking about something that is happening as a silent transformation, many times more impactful to define our history, with unimaginable consequences and ramifications.

In fact, it should be taken as the very cornerstone of what has been called by sociologists and scientists the Anthropocene.

To put in perspective how representative this change is, if you are not familiar with the concept of Anthropocene, let me briefly explain.

20 years ago, scientist Paul Crutzen coined the term Anthropocene to define a geologic epoch, an era dominated by the human race, as part of a larger narrative in which humans are modifying the planet to a great extent.

In the scientific community, there are some disputes around this taxonomy, mostly coming from Geologists questioning whether it is in fact a geologic era at all. This is not the point though.

From many aspects, one could strongly agree that the human footprint on the Planet Earth — a measure of how much we are using the Earth’s natural resources — has been massively increasing since the Industrial Revolution.

So, what really happened in 2020 that represents a mark of our existence that should not be overshadowed by the pandemic?

2020 was the year that the overall weight of material output of human activities surpassed all (!) global living biomass. In other words, 2020 marked the year in our history that human production of goods surpassed life itself….at least in weight!

Yes, that is right. The anthropogenic mass, or human-made things…take buildings, highways, trains, all the cars, all the computers, cables, forks, toys, plastic bottles, anything produced by us…now weight more than the combined weight of all Trees, all plats, all animals, and any other living being together.

Besides, the current pace of human-made mass increase is astonishing.

Every week, for each person we produce new things that are equal to his/her body weight.

Do the math, if we are about 7.5 Billion humans, EVERY WEEK the amount of new stuff being produced equals the combined weight of all of us, the total mass of more than 7.5 Billion people!

If an alien race were able to quickly scan our planet, they would probably be asking themselves: “is it possible that the footprint of this human race is that big?”

Of one thing I am 100% sure: they would certainly be shocked that the amount of plastic in circulation today (not to mention the plastic that has was burned and degenerated in landfills) now weigh twice as much as the planet’s marine and terrestrial animals!

(I hope they are not able to scan, from a top view, that most of the plastic also goes to the oceans and ends up being eaten by the fish that are part of human nutrition … that would be clear evidence of our primitivism. By the way, we dump — EVERY YEAR — 10 million tons of plastic waste into the ocean)

This fact should be giving rise to an expanded reflection of society and the way we live.

Naturally, it is not a question of boasting primitive times and aiming for a life devoid of material goods (or anthropogenic mass).

Throughout history and more recently (since the mid-20th century) humanity has experienced countless advances, from infrastructure to technologies that have enabled the well-being of billions of people.

However, planetary boundaries are being pushed to their limit, climate change being just one of them, in favor of a global economic model that encourages the consumption of goods as the ultimate reason for being or for living a happy life.

The nudges to exacerbated consumption as well as the discussion around the circularity gap, both intricately related to this issue of the rising human footprint on the planet are major challenges of our time, that I will seek to shed light upon in the upcoming short articles.

The Bottom Line: In addition to Covid, an important and unfortunate event, 2020 was the year in which all human-made stuff became heavier than the biomass of all living things in the world. This is not necessarily bad, but it should make ourselves stop and reflect on our very day-to-day actions, consumption habits, and the future we want. There is a reason you must have heard already about the campaigns to ban single-use plastic bottles. As harmless as it may sound, plastic bottles should be taken as proxies to unheatlhty consumption habits (to us and the planet) and believe it or not, but every plastic bottle counts…and the negative impacts (footprint) from exacerbated and unsustainable consumption will most likely fall on those most vulnerable populations, who often do not have access to this small and harmless good. Think (and act) about it!

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(portuguese version below/versão em português abaixo)

Covid não foi o ‘fardo’ mais pesado do mundo em 2020!

O Coronavirus? Uma pandemia catastrófica que literalmente parou o mundo? Uma doença que mudou a maneira como vivemos? Provavelmente uma dessas opções (se não todas), certo?

Isso é definitivamente compreensível e seria difícil argumentar contrariamente ao fato de que o que aconteceu no mundo devido ao Covid será para sempre lembrado como uma cicatriz profunda na História da Humanidade.

No entanto, esse não é o que acredito ter sido o fardo mais pesado para o nosso mundo em 2020.

Algo muito mais representativo de nosso tempo ocorreu no ano passado.

Estou falando de algo que está acontecendo como uma transformação silenciosa, e muitas vezes mais impactante para definir nossa história, com consequências e ramificações inimagináveis.

Na verdade, deveria estar sendo considerado como a base de toda a argumentação do que tem sido denominado por alguns sociólogos e cientistas como o Antropoceno.

Para colocar em perspectiva o quão representativa é essa mudança, se você não está familiarizado com o conceito de Antropoceno, deixe-me explicar brevemente.

Em resumo, 20 anos atrás, o cientista Paul Crutzen cunhou o termo Antropoceno para definir uma época geológica, uma era dominada pela raça humana, como parte de uma narrativa maior na qual os humanos estão modificando o planeta em grande medida.

Na comunidade científica existem algumas controvérsias em torno dessa taxonomia, principalmente vindas de geólogos que questionam se é de fato uma era geológica. Contudo, esta discussão não é o ponto aqui.

Sob muitos aspectos, deve-se concordar que a pegada humana (“footprint”) no planeta Terra — uma medida de quanto estamos usando os recursos naturais — tem aumentado maciçamente desde a Revolução Industrial.

Finalmente, o que realmente aconteceu em 2020 que representa uma marca de nossa existência que não deveria ser eclipsada pela recente pandemia?

2020 foi o ano em que o peso total de tudo aquilo que é produzido pela atividade humana ultrapassou todo (!) o peso da biomassa do planeta. Ou seja, 2020 marcou o ano da nossa história em que a produção humana de bens superou a própria vida … pelo menos em peso!

É isso mesmo que você entendeu. A ‘massa antropogênica’, ou as coisas feitas pelo homem … considere nesta conta edifícios, rodovias, trens, todos os carros, todos os computadores, cabos, garfos, brinquedos, garrafas de plástico, qualquer coisa produzida por nós … agora pesa mais do que o peso combinado de todas as árvores, todas as plantas, todos os animais e qualquer outro ser vivo junto.

Além disso, o ritmo atual da produção de coisas pelo homem é surpreendente.

Todas as semanas, para cada pessoa produzimos coisas novas que equivalem ao seu peso corporal.

Faça as contas, se somos cerca de 7,5 bilhões de indivíduos na terra, TODAS AS SEMANAS a quantidade de material nova sendo produzida é igual ao peso combinado de todos nós, a massa total de mais de 7,5 bilhões de pessoas!

Se uma raça alienígena fosse capaz de escanear rapidamente nosso planeta, eles provavelmente estariam se perguntando: “é possível que a pegada desta raça humana seja tão grande?”

De uma coisa estou 100% certo: eles certamente ficariam chocados ao conceber que a quantidade de plástico em circulação hoje (sem mencionar o plástico que foi queimado e degenerado em aterros sanitários) agora pesa o dobro dos animais marinhos e terrestres do planeta!

(Espero que não consigam escanear, de cima, que a maior parte do plástico também vai para os oceanos e acaba sendo comido pelos peixes que fazem parte da alimentação humana … isso seria uma clara evidência do nosso primitivismo. Aliás, jogamos — TODOS OS ANOS — 10 milhões de toneladas de resíduos de plástico no oceano)

Este fato deveria ser a base para reforçar uma reflexão ampliada da sociedade sobre o modo como vivemos.

Naturalmente, não se trata de vangloriar os tempos primitivos e almejar uma vida desprovida de bens materiais (ou de massa antropogênica).

Ao longo da história e, mais recentemente (sobretudo desde meados do século 20), a humanidade experimentou inúmeros avanços, desde aqueles relacionados à infraestrutura até as tecnologias que possibilitaram o bem-estar de bilhões de pessoas.

No entanto, as fronteiras planetárias estão sendo levadas ao seu limite, sendo as mudanças climáticas apenas uma delas, em favor de um modelo econômico global que estimule o consumo de bens como razão última de ser e de viver uma vida feliz.

Os estímulos para o consumo exacerbado, bem como a discussão em torno da lacuna da circularidade (“circularity gap”), ambos intrinsecamente relacionados à pegada humana no planeta, estão entre os principais desafios de nosso tempo, e procurarei explorar os temas nos próximos artigos curtos.

A moral da história: Além de Covid, um evento importante e infeliz, 2020 foi o ano em que todas as coisas feitas pelo homem se tornaram mais pesadas do que a biomassa de todos os seres vivos do mundo. Isso não é necessariamente ruim, mas deveria nos fazer parar e refletir sobre nossas ações do dia a dia, nossos hábitos de consumo e sobre o futuro que desejamos. Você já deve ter ouvido falar sobre as campanhas para proibir as garrafas plásticas descartáveis. Por mais inofensivo que possa parecer, as garrafas de plástico devem ser tomadas como uma proxy apenas dos hábitos incoerentes de consumo (para nós e para o planeta) e acredite ou não, mas cada garrafa de plástico conta … e os impactos negativos (pegada) do consumo exacerbado e insustentável irão provavelmente recair sobre as populações mais vulneráveis, que muitas vezes não têm acesso a esse pequeno e inofensivo bem. Pense (e aja) sobre isso!

References for this article/Referências para este artigo

Nature

Scientific American (1)

Scientific American (2)

Science Maganize — September 18, 2020.

Various Notes

A Bcorp investment management firm focused on impact tech and purpose driven entrepreneurship.

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